quarta-feira, 26 de julho de 2017

Late Phases (2014)

Ambrose (Nick Damici) é um veterano de guerra cego que se muda para um condomínio de idosos depois que sua esposa falece. Depois de uma vida conturbada, Ambrose só quer um lugar para descansar e viver o resto da sua vida em paz com seu cão-guia (e possivelmente, melhor amigo) Shadow. 

Como nem sempre as coisas funcionam como esperado, na sua primeira noite no condomínio uma criatura invade a casa da sua vizinha e devora suas entranhas e não satisfeita invade a casa de Ambrose que é salvo por seu cachorro. Infelizmente, o cachorro não sobrevive ao ataque e Ambrose decide caçar a fera e vingar seu amigo.

O filme é dirigico por Adrián García Bogliano que também dirigiu um dos curtas do famigerado The ABC of the Death. 

Aqui encontramos uma fotografia limpa e clara, um diferencial em filmes de horror que são constantemente gravados com uma fotografia suja e obscura. Você quase não acredita que naquele ambiente aconchegante do condomínio acontecem massacres frequentemente. 

O personagem é bem explorado. Apesar de ser um veterano de guerra e especialista em armas, suas limitações como cego são aproveitadas para um melhor desenvolvimento da história do personagem e do filme em si. Tais limitações não atrapalham Ambrose de se preparar para caçar o que acredita ser um criatura sobrenatural, tendo que lidar também com o preconceito da sociedade. Aqui não temos um homem lutando contra animais amaldiçoados mas também um homem lutando contra seus próprios demônios.  
 
O lobisomem só vem aparecer concretamente no terceiro ato. O interessante é que lidamos aqui com uma clássica montagem, ou seja, pouquíssima computação gráfica. Temos uma criatura enorme, peluda, aterrorizadora e com longas garras. A transformação é horrorosa e nojenta (do jeito que tem que ser) e se tornou uma das minhas transformações favoritas, ficando atrás, provavelmente, só da transformação de Um Lobisomem Americano em Londres, de 1981. E de brinde ganhamos mais criaturas no último ato.


Late Phases está longe de ser o melhor filme do gênero, mas com certeza ele conseguiu seu lugar e é um diferencial tendo que os últimos filmes são lotados de efeitos gráficos e romantização desnecessária.

Nota: ★★★★☆

sábado, 22 de julho de 2017

XX (2017)


XX (2017) é uma antologia de quatro curtas com direções femininas em que a figura feminina é a principal em cada um deles. Me surpreendi ao deparar com tal obra, tendo que o terror e o horror acaba por ser um gênero dominado por direções masculinas. Entre os curtas aparecem vinhetas aterrorizantes em slow motion feitas pela Sofia Carrilo que são um diferencial para o filme. Nesta obra, temos The Box dirigido pela Jovanka Vuckovic, Birthday Party dirigido pela Annie Clark, Don't Fall dirigido pela Roxanne Benjamin e Her Only Living Son dirigido pela Karyn Kusama que serão comentados individualmente nesse post.






The Box (Jovanka Vuckovic) ★★★


Neste curta vemos uma mãe que precisa lidar com o filho que parou de se alimentar após pedir para um estranho senhor para olhar dentro de uma caixa que o mesmo carregava. O que parecia ser apenas um momento da criança se alastra pela família. É um curta curioso, cheio de suspense e que transita entre o terror e o horror com fluidez.

Birthday Party (Annie Clark) ★★★★


Birthday Party é para mim, o melhor curta desta antologia. Não é fácil criar um clima de suspense em uma festa infantil, porém a diretora consegue fazer isso quando a personagem principal tem que lidar com o suicídio de seu marido e ter que esconder o corpo do mesmo no dia da festa de aniversário da sua filha. Com humor e suspense, o segundo curta da obra tem um final inacreditável.

Don't Fall (Roxanne Benjamin) ★


De todos os curtas dessa obra, Don't Fall é o que mais se assemelha as outras obras encontradas hoje em dia no gênero de terror e horror. Não que isso seja bom. Don't Fall é cheio de clichês e totalmente previsível e apenas uma pessoa que não é ligada ao gênero caíria nos jumpscare. 

Her Only Living Son (Karyn Kusama) ★★★★


Nesse curta, temos suspense do começo ao fim em que tudo é subjetivo e o desenrolar é constante. Me privo de dar uma pequena sinopse pois não gostaria de estragar tal experiência, mas vale dizer que é interessante como o passado obscuro da mãe influencia no filho e como ambos tem que lidar com isso. 

As vinhetas da Sofia Carrilo são curiosas, aterrorizantes e um show por si só. 


Em geral, é bom ver uma obra com tantos papéis femininos pois precisamos disso, desmistificar o gênero de terror e horror como dominantemente masculino. Porém é preciso mais audácia, não só na obra das meninas mas em todo filme de terror da atualidade. Vale a pena conferir (e tem na Netflix).